28 de julho de 2026 • 8 min de leitura

Sei que posso parecer um pouco antecipado…
Mas setembro chegará com uma bela agenda para quem cruza medicina e tecnologia.
A boa notícia é que você sairá daqui capaz de fazer boas escolhas. E é nesse ponto que eu tentamos te ajudar. O resultado está nesta newsletter: o que cada evento entrega, para quem ele vale e o que dá para tirar de melhor de cada um.
Fizemos também um "guia de campo”, com seis perguntas que te ajudarão a perceber a diferença entre solução e promessa em qualquer estande de IA. É a diferença entre voltar do congresso com sacola de brindes e voltar com decisões tomadas.
Boa leitura e uma excelente semana.
Francisco Gregori (fundador da Oasis Med)

Onde estar e por quê
O Healthcare Innovation Show, o HIS, chega à 12ª edição se apresentando como o maior encontro de tecnologia e inovação em saúde da América Latina. Em 2025 foram 4.200 pessoas, 300 palestrantes e oito palcos simultâneos. Paulo Moll, CEO da Rede D'Or, está confirmado na Entrevista Master do dia 16. O keynote internacional é de Brian Han, cardiologista pediátrico e intensivista de Stanford. E tem o ShowCase Experience: Hospital Digital, uma jornada HIMSS montada em estações. Um hospital digital inteiro, da estratégia à certificação, para você atravessar a pé.
Quem estará lá
Gente de tecnologia, gestão, inovação, vendas e marketing, de hospitais públicos e privados, clínicas, operadoras e consultorias. Profissionais de saúde também constam na lista oficial. Constam no meio dela, quase de passagem. O palco foi montado para quem compra, e quem atende entra como convidado.
Por que importa
Porque é ali que a compra acontece. O contrato assinado num corredor do São Paulo Expo em setembro pode ser o software que aparece na sua tela em março.
Se você for
Os ingressos vêm em três degraus: Visitante, Congressista e Executive Pass. No Executive, os lotes viram mais ou menos a cada mês, sempre subindo. Já está no terceiro, a R$ 2.500 até 13 de agosto.
Um detalhe que pouca gente repara: quem atua em clínica, laboratório, hospital ou operadora tem 100% de desconto no ingresso Visitante. Ainda assim, se couber no orçamento, vá de Congressista para cima. O corredor você já conhece de outros eventos. As sessões, não.
O 55º Congresso Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem vem sob o tema "Pontes do Saber: Conectando gerações, imagens e inovações".
O formato
Sete cursos intensivos já divulgados, um deles inteiramente de inteligência artificial, do básico ao avançado. Cinco arenas: Inovação, Cultura e Humanidades, Radiologistas do Futuro, Arena Central e Ultrassonográfica. A Maratona Brasileira de Radiologia fecha o congresso no dia 19. O 5º Simpósio de Qualidade e Gestão de Clínicas roda em paralelo nos dias 17 e 18, no Novotel Recife Marina.
Por que interessa
Em volume, nenhuma especialidade recebeu tanta IA quanto a radiologia. Dos mais de 1.500 dispositivos de IA autorizados pelo FDA, três em cada quatro são radiológicos. E na leitura de imagem, nenhuma convive com algoritmos de IA em escala há tanto tempo. O que ela está vivendo agora, as outras ainda vão viver. A parte silenciosa, por ironia, quem flagrou primeiro foi a endoscopia. Em 2025, um estudo na Lancet Gastroenterology & Hepatology acompanhou 1.443 colonoscopias e flagrou algo incômodo: quando a IA saiu da sala, a taxa de detecção de adenoma dos endoscopistas caiu de 28,4% para 22,4%. A habilidade tinha se apoiado na máquina sem avisar ninguém.
Há uma boa chance de o prontuário que você abre todo dia ter sido feito por eles. A MV é a fornecedora de prontuário eletrônico hospitalar mais contratada da América Latina, segundo o relatório da KLAS de 2025, e a quinta maior do mundo na categoria. Pela conta da própria empresa, 894 hospitais na região.
O tamanho da coisa
11ª edição, de dois em dois anos, dois dias no Transamérica Expo Center. A de 2024 passou de cem palestrantes. A pauta anunciada: gestão de resultados, inovação em tecnologia e tendências em saúde. A programação detalhada de 2026 ainda não saiu.
Por que eu iria
Interoperabilidade é o encanamento da saúde digital. Ninguém decora a casa mostrando os canos, mas é por eles que a água chega. Uma tecnologia para a medicina só faz sentido se conversar no mesmo idioma que seu hospital, sua clínica.
Quem estará lá
Executivos, gestores de tecnologia, médicos, enfermeiros. E estudantes de medicina e enfermagem.
O congresso da Anahp vem sob a chamada "Onde lideranças moldam o futuro da saúde brasileira". Espera mais de 6 mil participantes e mais de 110 palestrantes, com um palco inteiro chamado Tecnologia e inteligência em saúde.
A promessa
Está no título de um dos debates: "Inteligência artificial na saúde: onde já gera valor e o que ainda é promessa". Depois de três anos de encantamento, a plateia que assina os cheques começou a pedir prova. Também na grade: "A era da agent AI na saúde" e um debate sobre dados e interoperabilidade na tarde do primeiro dia.
Por que importa
Os hospitais da Anahp respondem por cerca de 27% das despesas assistenciais da saúde suplementar, segundo o Observatório 2026 da própria associação. Quando essa plateia muda de humor, o orçamento de tecnologia do setor muda junto. E o humor dela em outubro define o que chega perto de você em 2027.
A Sociedade Brasileira de Informática em Saúde chega à 21ª edição do seu congresso, o CBIS, no ano em que completa 40 anos. O tema: "Inovação Ética e Sustentável na Saúde Digital Brasileira".
Por que é importante
A SBIS é quem certifica os Sistemas de Registro Eletrônico em Saúde no Brasil. O processo nasceu de um convênio com o Conselho Federal de Medicina e hoje corre sob a marca da própria SBIS. Dito de outro jeito: é nessa mesa que se combina o que vale como registro clínico no país. Se algo escreve dentro do seu prontuário, transcrição por IA incluída, a regra passa por ali.
O que mudou este ano
Duas coisas, e as duas em 2026. Em maio, na Hospitalar, a SBIS lançou uma certificação específica para aplicações de IA em saúde. Uma das categorias de escopo, com essas palavras: automação de registros em prontuários. Os requisitos pedem mitigação de alucinação e explicabilidade, com a interface mostrando quais laudos e evoluções sustentaram cada texto gerado. E o CFM publicou a Resolução 2.454/2026, que entra em vigor no fim de agosto. Ela traz a IA generativa para dentro da norma e, no artigo 4º, obriga o registro no prontuário sempre que um sistema de IA apoiar a decisão médica. Uma é voluntária. A outra vale para todo médico do país.
Perguntas para levar no bolso
1. Com que dados isso foi treinado, e de onde vieram?
Uma resposta vaga aqui dispensa continuar a conversa.
2. Existe validação publicada?
Com que população, medindo qual desfecho.
3. Fala o idioma do meu prontuário?
Ou gera mais retrabalho do que eficiência?
4. Onde meu dado fica, e por quanto tempo?
A gravação de uma consulta carrega dado de saúde, e isso é dado pessoal sensível pela LGPD. Pergunte quem acessa e se os dados serão usados para treinamento do modelo.
5. Consigo encerrar o contrato e levar meus dados comigo?
Prontuário tem guarda obrigatória. Essa resposta precisa estar escrita no contrato.
6. Roda um caso real, agora?
Demonstração gravada não conta.
E as perguntas que você vai fazer para si…
7. Isso me devolve tempo, ou só muda o trabalho de lugar?
8. Isso me devolve atenção, ou me dá mais uma tela para vigiar?
9. Se eu usar isso todo dia por dois anos, o que em mim enfraquece?
O Olhar da Oasis
Cinco eventos, cinco perspectivas. Por baixo, a pergunta é uma só, e é a que você faz desde o primeiro dia de clínica: isso gera valor mensurável para o paciente?
Repare no movimento do setor. Depois de três anos de encantamento, todo mundo está migrando para o método que a medicina conhece melhor do que ninguém. Hipótese, teste, evidência, acompanhamento. O congresso de gestores pedindo prova é isso. A certificação pedindo o rastro de cada texto é isso.
Na Oasis Med, a gente lê esse movimento como boa notícia para o médico e para o paciente. Quando a conversa vira prova, quem raciocina clinicamente joga em casa. As seis perguntas do guia acima são, no fim do dia, uma anamnese de produto.
Talvez a forma mais útil de circular por esses eventos seja a postura que você já domina, a de clínico diante de um novo caso. Escutar antes de concluir, pedir o exame antes de aceitar o diagnóstico, desconfiar do quadro perfeito demais.
Pergunta da semana: se você avaliasse a próxima ferramenta de IA como avalia um paciente, com história, exame e hipótese antes da conduta, quantas das que já rodam na sua rotina teriam passado da primeira consulta?





